1982, novamente algo de estranho é relatado na cidade de Porto Ferreira, São Paulo. E, para variar, envolvendo adolescentes descrentes, que fazem gozação de tudo e de todos, não acreditando em nada, tal e qual São Tomé. Surge, em vários lugares, comentários sobre "a loira do banheiro" em uma das escolas da cidade. A rapaziada não perdeu tempo e já começou com a gozação; onde já se viu uma loira bonita aparecer, sem mais nem menos, no banheiro masculino? Muitos chegaram a conjeturar sobre o que fariam se defrontados com a louraça. Teve até um que afirmou que se a visse a transformaria numa morena, de tanto prazer que a proporcionaria! A escola inteira só comentava sobre este "causo", e inúmeras foram as brincadeiras e chacotas criadas em função da misteriosa personagem. Isto continuou por um certo tempo, até que algo de muito estranho ocorreu.
Era um dia normal de aula, tudo parecia sob controle, pelos corredores ainda ecoava a cacofonia de sons gerados pela balbúrdia feita pela rapaziada, e foi aí que a coisa aconteceu. Não se sabe se foi por castigo, remorso ou tratou-se de simples alucinação. Um dos alunos, ao entrar no banheiro, dá de cara com a "loiraça belzebu", e a mesma fala: estava a sua espera, quero que você me faça ficar morena! O pobre rapaz sai correndo, gritando a plenos pulmões que havia visto um fantasma. Desnecessário dizer que a escola ficou em polvorosa, todos entraram em pânico mas ninguém foi conferir o tal fantasma. Pronto, começou o boca a boca. Como diz o ditado popular "quem conta um conto, aumenta um ponto", Porto Ferreira foi invadida pelas mais surpreendentes versões do ocorrido. Teve gente, até, que jurou ter visto a loura em lugares dos mais estapafúrdios. Foram tantos os comentários, que um de meus amigos da cidade ligou-me contando tudo. Você, que é meu leitor, certamente já esta sorrindo e pensando: este é o tipo de assunto que o Mojica adora! Você está certo, eu não podia deixar de investigar esta coisa estranha, este fenômeno que ninguém sabia explicar. Só que eu não fui para Porto Ferreira, preferi fazer algumas ligações para amigos que aí residem e informar que este era um caso mais do que desvendado. Todos ficaram estarrecidos com minha afirmação, e tive que explicar que o caso já era de conhecimento de todo o Brasil, há muito tempo. Direi até que o caso já esta correndo o mundo, tamanha foi a repercussão do mesmo na imprensa. Afirmo isto pois sei a origem e a razão de ser de tal lenda. Por volta dos anos 70, o diário da noite vinha tendo uma queda acentuada em sua tiragem e um de seus melhores jornalistas, editor do caderno policial, o legendário Orlando Criscolo procura algum tema que mantivesse o interesse e, consequentemente, a tiragem do jornal. Ele finalmente achou sua matéria, uma loira suicida-se no interior do banheiro de uma escola. O problema era sentimental, ela gostava de um rapaz, e não era correspondida.
Orlando, espertamente, levou a coisa aos píncaros; ele colocou no meio de tudo um estupro, transformando a loira numa lenda. Ela havia voltado para vingar-se do seu algoz, ao mesmo tempo que aparecia em diferentes localidades para servir de aviso aos canalhas que não tinham escrúpulos em atacar indefesas donzelas. O jornalista, durante muito tempo, foi criando mais histórias sobre esta matéria e em todo o lugar que ele passava, Porto Ferreira inclusive, era obrigado a relatar o "causo". Diversas foram as denominações que esta mulher teve pelo Brasil afora: mulher de algodão, mulher vingadora ou loira do banheiro, entre tantos outros. Você já está curioso, não é? Que pena, estou parando por aqui, pois até hoje não se tem uma definição para este fato, só sei dizer que com o passar do tempo ele foi se desgastando até cair no esquecimento. Mas não se preocupe pois na próxima edição terei mais um "causo "para relatar aos meus caros leitores. Até lá... até lá!
Pensamento: nunca siga à risca a filosofia de São Tomé, ver para crer, pois muitas vezes se paga por aquilo que não vimos e não acreditamos.






























































